segunda-feira, 4 de março de 2013

a virgem escorpião

every night she steals a heart - christian schloe


iniciação: casa da lua. splendor solis na cabeceira. medula do ferimento de leão na andrógina iconografia dos desmembramentos. dissolver-se à plenitude das eras de prosa púrpura. quando se pode tocar o primeiro rosto de tinta tíria, contorcido no vácuo primordial. seriam necessárias 1000 cabeças e 1000 pés até o instante de culto imaginário. há de se coagular o psicopompo. com os sapatos-de-lótus acesos a guiar o avanço. íbis, lacraia, sanguessuga, projéteis fagocitários: as extremidades de ano-luz alvejando o citoplasma de uma criatura que se cristaliza em reflexos de ferrugem. sua íris teria a cor dos excrementos e dos plátanos em glaciares, como convém a qualquer cerne de energia plasmada no espaço onde a terra se inverte em ervanários. a cor da fertilidade dos territórios, vivos e mortos. o pigmento da mumificação. seria preciso fitar o medo orgânico, a repulsa cósmica. para prosseguir, embalsamado em meditações químicas. doando verbo-elétron aos esquartejamentos do eixo digestão-excreção. seria preciso regurgitar todo castanho que entope canais e válvulas. abrir todas as chagas para o dourado. virar-se ao avesso com substantivos de netuno, o dissoluto. e ruminar ao pó de onde viemos: és belo porque não me és. estás descalço.