sábado, 9 de março de 2013

filo-café: fecundação e alívio


exaspero de borrasca
em ondas delapida
andando saqueado e adulto

poses maníaco-primárias
infestado o íntimo gregoriano de pentes
crânios de basílicas e impérios

que mais fabricastes?
os lençóis impostos renegam camas
posicionam os dráculas seus atiradores

goya já sem filhos, carência, os dados no baralho
fil’e grana diligenciam as anfíbias expressões:
- tesourinhas para fitas e enxovais?

derreteram a esperança

um deserto move a bússola
um estertor de frio e medo
percorre inteiro o corpo
vão fuzilar?

tu serás a mulher acordada para o mundo
aquela que nunca prometeu nada
eterna ignorância
um filho seu
calibrada nos postos danosos da mentira
tens no corpo as fibras da intriga
e jactos apocalípticos

monocórdica
onde as iguarias fazem crescer água na boca?
o escorrega é lento e esboroa-se no tecto

alarmada na eclética sombra desta miséria
os filhos de goya agradecem
os filhos de goya rezam por ti
o gancho de nada serve

e o guincho é um alarme sádico a embelezar
esta peste alaria

- enfermos corninhos de cereja


Aurelino Costa