sábado, 16 de março de 2013

In hac die Virgo Mater ad aetherueum thalamum est assumpta

An Allegory of Painting (1661), Frans van Mieris the Elder. Detalhe.

*exercícios imagéticos sem imposição de ritmo (visível) sobre a metaleitura.
Não há ícones sem o sacrifício cartesiano e aquoso das linhas. Há tantas páginas estrangeiras, geômetra. Desenhos e códices, com curvas, com cortes abruptos ou pontos sinuosos nos rígidos caracteres.
Binômio, alvejo tua jugular. Por dentro a língua ereta, em culto de joelhos. Com mímica de sarça ardente, incinera os livros alienados de ti. Alcoólica, anônima em fumo de rio, sorve pelas chamas o vapor invólucro da saliva.
À espera de novilúnios, a melanina-soma esfria em esfera de sulphur ordinário que, sim, empalo-desço. Suspendo um buda que nascerá. Maitreya, a caligrafia seiva, zodíaca passeia no anátema helicoidal. Condensa e diz: hoje, apenas uma dose ácida e clara, para dilatar. Amarrar os punhos e tornozelos da palavra, testando sua elasticidade. Domá-la, a fera líquida, até a maçã sem bicho, a sopa sem fio, a coleira sem corrente.
Há tantas túnicas íntimas estendidas em nosso tapete lúcido, cordeiro de deus vermelho. Hipodermias para nosso acervo de lâminas e agulhas. Capilar, piso teu signo celular, que anda sobre a superfície das falas. Minúsculo, triangular. Sete bestas em uma, na nervura bricolada em grimório medieval. Escolho pelo selo, entre os 72. Desatenta às manifestações.
Elevo-te. Ao cálice do rosto. Comunicamos, dissonantes. E eis que sou teu símbolo e tu me és, significante.
Nos resta a leitura cruzada. Produzir uma lágrima mútua, incendiária. Ísquia, púbica e viscosa, contrária as leis da gravidade. Sem olhar para trás.
Andréia Carvalho Gavita