sábado, 2 de março de 2013

Ri_queza




são marés de pássaros na hecatombe
do ladrar nupcial dos galgos

avós das migas batem a calda num respigue
vento goleando as frinchas
o gado acena o focinho á passagem do homo erectus

seus cornos d'asas oscilam

enrola a águia, o tabaco e a mortalha
só a culatra perdura e acena ao grito
homem? ou mira?, em passadio "breve"

pelo chão mel de abutres, que gravitam ?...

lençol equestre na timidez da pupila lavra em leque
a farsa na reentrância da terra – virgem
esmaga prosélito a ânsia noctívaga em duelo

a cama – doce se estende neste estival de sopros de cana
enquanto o pente desliza em serpente o crânio choco

que tem este gás, aftoso e dissonante
que não tenha já estado mas fossas nasais de qualquer povo?

hostes salemas, luvas movediças
lesmas, baratas, especiarias e borboletas

que rico !

Aurelino Costa