domingo, 7 de abril de 2013

deixar a cave ser a cama da pele




VIII
a esclerose suga as plaquetas. nos brincos revejo um reflexo de corpúsculos. a escrita jorra em catástrofe. uma amálgama de distorções e impulsos vadios vomita do barco em endorfina.
as terminações nervosas estão em eflúvio. a psicodinâmica torna-se cancerígena, os leucócitos bramem a espuma do negrume. os elfos, em forma de angiospermas, plantam serotonina.
a fibromialgia adormece na cama dos tendões
a chuva sacode as fendas sinápticas
e a psicose explode na íris das células.

IX
aniquilo-me no sopro das imagens, no bosque sanguíneo, a chuva intemperada, o corrosivo odor da angústia, dilatado pelas brechas da casa, o mundo alquímico do cérebro, a dor que fascina as gengivas, a estrada de neve, o solilóquio sináptico, ebulição da carne, o pó que resta na disfasia da vida, os acordes que estrangulam a voz, agitando a amnésia, o eclipse do mar, os livros descalcificados, a fibra da luz, uma musculatura de corpúsculos doentes, a ausência de plaquetas, o suicídio administrativo da vida.

deixar a cave ser a cama da pele, eis o sonho.