quarta-feira, 26 de junho de 2013

o demónio



só permaneço acordado com a imagem do demónio
à minha frente
no meu estômago
atiçando minhas mãos e meu juízo

só consigo sobreviver às minhas insónias com ele
correndo nas ruas
incendiando a falsa lucidez
concorrendo com as páginas brancas da incerteza
abençoando minha gastrite

só permaneço acordado porque dormir é inútil
quando visto a intranquilidade vista no poço
e as bússolas endoidaram os pêndulos perderam o prumo
e o grave acalento dos infernos me moldam os sonhos

e o demónio dança a festa do desastre
traga toda a minha insanidade
me derrama como revelação idiota
como tempestade que vaza para o fundo

até que eu durma